De manhã acordei ainda na ressaca do que foi o dia anterior... Uma vez que, por alguma razão estranha era 1 da manhã e dei por mim dentro do meu carro em plena Vagueira a descobrir que por muito que queira ou tenha motivo não consigo chorar.
Em dados momentos do dia, numa pura introspecção acabo por descobrir que tenho a mente vazia e obstruida... Não consigo pensar se não no que me é dado naquele momento... Então no final do dia tenho a sorte de ter de rumar á minha terra natal, e é então que aproveito a solidão de conduzir sózinho para dar uns berros que me aliviam.
Não sou capaz de falar seja do que for com ninguém, nem com os meus pais... Sinto-me mal... Sinto-me desgostoso com esta vida a quem dou tudo e que não me dá nenhum motivo para lutar por ela... Acho que a devo largar.
Finalmente entrei em acção no que me move. "Nada como um encontro com os amigos para um jogo no torneio" disse para comigo. Marquei um golo. Nunca marcar um golo foi um acto tão frio e desprovido de sentimento como hoje... Nem mesmo quando se joga sem oposição... Marquei um golo... Mas porquê? Para quem? Não havia razão para estar contente, saltar ou fazer festa... Fiquei ali imovel a ver o pobre guarda-redes barafustar com os colegas de equipa e apenas senti pena deles... Nada mais... Leventei os braços apenas quando vi que todos os outros o faziam... Não há nada mais triste do que não conseguir dizer, para dentro ou para fora "este golo é para ti!". Aconteceu comigo...